Zoo Lujan: ir ou não ir?

DSC_1820Abraçar um filhote de leão, tirar foto – bem de pertinho – com elefantes, camelos, leões adultos, tigres, lhamas… dar leite na boca desses animais selvagens – e, em alguns casos, exóticos. Quem não quer ser fotografado assim em suas férias pra, depois, contar como uma verdadeira aventura humana na Terra? Pois é, o Zoo Lujan, na Argentina, te possibilita essa “aventura”. Eu fui e, sinceramente, achei uma experiência lastimável. Te conto por quê.

Primeiro, é preciso lembrar que o Lujan não é o único lugar do mundo a deixar humanos não preparados a ficar bem perto de elefantes, tigres e leões. A Ásia é lotada desses lugares e procurando no Google não é difícil encontrar essas imagens.

Acontece que pra nossa realidade brasileira, ir para a Argentina está mais barato do que pra Ásia e, por isso mesmo, o Lujan virou um grande programa “pega turista brasileiros”. Sério, fui em abril deste ano e sem exageros, os brasileiros eram praticamente 98% dos turistas. Os outros 2% ficam para os próprios argentinos. Para não falar que não existiam europeus, por exemplo, conheci duas francesas na fila. Filas, aliás, quilométricas.

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Bom, mas por que mesmo não gostei? Só pra contextualizar, ir para o Lujan nunca esteve em meu roteiro argentino. Porém, fui com uma amiga e viajar acompanhada também é saber ceder. Eu, que tinha uma lista de um milhão (exagerada) de coisas que queria fazer, fui porque a vida é uma troca, rs.

E eu não gostei porque fiquei com perguntas martelando na minha cabeça sobre os animais. Grande parte dos relatos que li antes de ir trazia a questão da sedação. Porém, como realmente saber se os animais são sedados? Como provar?

Visualmente falando, acredito que nenhum animal daquele porte (digo no caso dos leões e tigres) podem ser sempre tão “mansos” assim.Eu, jornalista sem nenhum conhecimento de biologia necessário, não consigo acreditar que os bichos fiquem ali, paradinhos, por livre e espontânea vontade o dia inteiro.

Os filhotes também dormem muito. Porém, quero acreditar que o zoológico não dê sedativos pra eles. Afinal, até filhotes de cachorros e gatos dormem muuuuuito.

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Uma técnica utilizada pelo Lujan, aliás, é deixar ao lado dos filhotes de tigres e leões, filhotes de cachorros. Segundo um dos funcionários, os cachorros, animais domésticos, tendem a deixar os animais selvagens mais mansos e mais companheiros também.

Bom, mas voltando para meu relato. Eu acabei chegando tarde no zoológico, bastante afastando de Buenos Aires, no município homônimo de Lujan. Como cheguei tarde, não tive tempo para andar de jaula em jaula.

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O primeiro que fiz foi comer. Aliás, a pequena praça de alimentação é suja e cheia de gansos e patos, que “bicam” sua bunda por comida. Eles reclamam ao modo deles. Ou seja, comem o que as pessoas comerem, “dieta” nada saudável e acredito que nada recomendável por veterinários.

Fora isso, a área do Lujan é muito grande e, aqueles que querem visitar de qualquer jeito, devem chegar cedinho e ter paciência. Muita paciência. Conforme relatos dos próprios funcionários, as maiores filas são aquelas de dar leite na mamadeira para os tigres e leões. Uma espera na fila pode ser de duas horas ou mais. DUAS HORAS!

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Um outro ponto considerável é o preço: o ingresso custa R$ 50,00. Sim, cinquenta reais. Muito salgado e acredito que a entrada mais cara de toda a viagem. Não me lembro mais quanto paguei para ida e volta do zoológico, sei que existem pelo menos duas opções: pagar a ida e volta de uma vez para uma van ou pegar um ônibus convencional, que demora mais, porque vai parando.

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Ponderação

Apesar de ter achado caro, longe, sujo e pensar se os animais são ou não sedados, preciso fazer uma ponderação.

Muitos daqueles animais que hoje estão no Lujan foram retirados de locais em que passavam por maus tratos. Não cheguei a ir na parte dos elefantes,porém duas brasileiras que conheci me relataram que alguns possuíam cicatrizes, marcas perceptivelmente antigas, quiçá devido a treinamentos em circos.

Não sei se sabem, mas deem uma pesquisada na forma que elefantes – animais, aliás, MUITO inteligentes – passam por treinamentos. Os treinadores geralmente têm uma espécie de lança, que ‘cutucam’ os animais que não aprendem.

Conforme as mesmas brasileiras, os próprios cuidadores do Lujan tinham esse objeto, mas afirmaram que era só pra dar “medo” e para os animais respeitarem e fazerem o que mandam, como sair de um lugar e ir para outro.

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Acontece que da mesma forma que martelou na minha cabeça a questão da sedação, martelou também a pergunta: mas e se todos deixarem de ir? como os animais serão alimentados? como serão cuidados?

E, caso sejam realmente sedados, como provar e/ou denunciar? E pra onde iria aquela centena de animais? Apesar dos tigres, elefantes e leões serem as principais atrações, o Lujan tem aves, caprinos, macacos, equinos e sei lá quantos outras espécies de animais.

Não são poucos os blogs brasileiros que levantam essa série de perguntas. Termino o post e ainda fico com as dúvidas. E aí? O que fazer? Você já foi ou iria? Condena?

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4 comentários sobre “Zoo Lujan: ir ou não ir?

  1. Estive 2 vezes em BsAs e não fui ao Lujan e nem tenho vontade de ir… justamente porque li relatos como o seu, falando que o lugar é sujo, desorganizado e deixa a dúvida… Muita gente falando que os animais são sedados, sim. E, mesmo sem tê-los visto, acredito nesta teoria…não deve ser fácil aplicar outro método pra deixar todos eles apáticos. Acho que eu preferiria ver um leão, de longe, em seu habitat natural que ficar 2 horas numa fila para passar a mão nele (mais manso que um gato hhheheeh) e tirar uma foto… =)

  2. Desde criança nunca gostei de circos, pelo fato de ter animais. Lembro de estar na fila de entrada e me deparar com um elefante enjaulado. Para mim, ele parecia estar triste, e isso me fez ficar mal e sempre pensar nele todas as vezes que eu ia aos circos. Até que deixei de ir…

    Enfim, só pra dizer que usar animais para diversão e segurança humana, ao meu ver, é cruel e desnecessário.

    Será que não existe alguma investigação ocorrendo nesse zoologico?

    Quando fui ao chile, vi cegonhas e lobos marinhos no oceano pacífico e do jeito que deve ser: eu na areia e eles no meio do mar, vivendo. Cada um no seu espaço.

  3. Lá não é um santuário. Lá é um circo como outro qualquer, onde animais são sim procriados la dentro já em confinamento (não resgatados. Como explicar q tem SEMPRE filhotes a disposição dos turistas) e q passam por treinamentos pesados pra serem domesticados e ficarem mais mansos que gatos (passa a mão na gata qui de casa pra ver o que ela faz!!!).

    O que aocnteceriam com os animais s elá fechasse??? Primeiro, parariam de procriar mais animais para serem escrvizados lá para a induustria do turismo. Segundo, os q estão lá seriam encaminhados pra santuários de vrdade, que não são abertos a visiação para os animais viverem me paz Aqui no Brasil temos o Rancho dos Gnomos, o santuário das Fadas, o Projeto Mucky….

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