Crise no Turismo: reflexo do que?

Li agora pouco que a Nascimento Turismo, uma empresa com mais de 50 anos de mercado no setor, pediu recuperação judicial.

Alta do dólar, “crise econômica do país”, passagens baratas… blá blá blá. Não faltam justificativas pra, talvez, tentar justificar o injustificável.

Assim como vários outros setores (alô alô TVs por assinatura versus Netflix ou PopCorn Time), vejo as agências de turismo empacadas em modelos retrógrados de se fazer e vender turismo.

Digo isso unicamente pelo fato de que hoje, com calma e paciência, pesquisar, comprar e programar sua viagem ficou infinitamente mais fácil que no passado. Eu nunca comprei pacote nenhum de viagem. Nunquinha. E não tenho essa vontade.

Agências foram fundamentais na minha vida em necessidades pontuais. Cito aqui a STB e a CI. Precisei da STB quando fui fazer intercâmbio no México e, como era adolescente e sem renda nenhuma, meus pais compraram por ela minha passagem e meu seguro de vida para um ano.

No caso da CI, comprei uma passagem pra Europa, o seguro de vida e umas passagens de trem pra fazer lá dentro do continente. E só comprei porque saiu mais barato que no site da companhia ferroviária.

Li no site Agentes de Viagem que a Nascimento é só mais uma das empresas do setor que está desabando. É óbvio, há impacto sim devido essa montanha-russa do dólar, crise, etc. Mas o que essas empresas talvez não estão entendendo é que é preciso reciclar, entender o mercado, o consumidor e o que esse consumidor deseja.

Todo mundo hoje assina ou vai na cola de quem assina Netflix. Imagina? É quase uma TV dos sonhos: sem comerciais.E, se essas empresas de TV por assinatura não entenderem o timing certo pra mudarem, talvez tentem mudar tarde demais. Entenda: não estou falando de nada a curto prazo.

Ah, e nessa onda aí de adaptação, uma dica: as revistas TPM/Trip chegam às bancas exatamente com uma análise disso, de ‘padrões’ que terão que mudarem para não afogarem no mercado.

Como diria Darwin: “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

Pra entender melhor:

Nascimento Turismo: Mais uma gigante que está desabando

Nascimento entra em recuperação judicial

Os destaques da Trip #243 – Especial Disrupção

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Pousada Poética em Colônia do Sacramento: Le Vrero

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Já falei sobre Colônia do Sacramento por aqui. Uma cidadezinha as margens do Rio del Plata, próxima a Buenos Aires, linda, histórica e que sempre – mesmo sem conhecer – considerei um dos meus lugares preferidos no mundo. Mas, claro, não basta existir.

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Além de ter bons lugares para comer e beber um bom vinho – e muitos casarões fantásticos pra tirar inúmeras fotos – Colônia tem uma pousada que conquistou meu coração: a Le Vrero.

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Pertinho da estação das barcas – onde grande parte dos turistas que fazem bate e volta com origem em Buenos Aires chegam – a pousada também está quase do lado da rodoviária. Ou seja, muitíssimo bem localizada.

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Outros pontos que me encantaram é que o nome remete ao poeta uruguaio Mario Levrero (1940-2004), que morou ali, e pra dar o ar todo literário, cada quarto tem um nome bem poético.

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Também tem destaque o Luciano, que é o recepcionista e quase um cerimonialista da cidade histórica. Te apresenta um mapa e já mostra logo de cara o que compensa ou não.

Uvas: sim, eles plantam uvas ali no fundo da pousada! <3

Uvas: sim, eles plantam uvas ali no fundo da pousada! ❤

Ah, também do lado da pousada está inúmeras lojas de aluguel de “carros de golfe” e bicicletas. Dica: não aluguel um carrinho de golfe pra percorrer a cidade. A não ser que você realmente não puder andar, faça um favor a si mesmo e conheça Colônia a pé ou em duas rodas.

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Mas, voltando a falar da Le Vrero, dois outros pontos positivos foram o café da manhã e o espaço completamente reformado.

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O que significa isso? Que não tive problemas de respiração/alergia que sempre (infelizmente) enfrento em todas as minhas viagens com locais pouco ou nada arejados, com condicionadores de ar cheios de poeiras. No caso de Colônia, na época que fui (abril), nem foi necessário ligar o ar.

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Bom, é isso. Caso vá e fique hospedado em Colônia, não deixei de se hospedar na Le Vrero.

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Boa viagem!

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Como planejar e programar sua viagem

O post de hoje é completamente pessoal. Vou compartilhar um pouco da minha rotina na hora de programar uma viagem, seja ela um bate e volta, férias ou um intercâmbio.

Acho que dividir em tópicos sempre fica mais rápido e fácil de ler e também de pular, caso não se interesse pelo tópico.

Vamos lá!

Dinheiro

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Primeira vez na Europa: em Getafe, região metropolitana de Madri

1 – Essencial. Afinal, sem ele você não pega nem um ônibus. É óbvio, você pode fazer um mochilão, couch surfing ou uma viagem de alto luxo. O modelo é com você, mas sem dinheiro você não vai. Economize pra viajar 😉

Chacaltaya, na Bolívia

Chacaltaya, na Bolívia

2 – Mas, que tipo? Eu, particularmente, não gosto de viajar com cartão de crédito. Aliás, em todas minhas viagens internacionais o cartão de crédito está na bolsa, mas como algo que eu tenha que recorrer SÓ em caso extremamente necessário. Mas, por outro lado, tem gente que eu conheço que já viajou SÓ com o cartão de crédito. E que sempre viaja assim. É escolha e é uma decisão muito pessoal, mas eu não gosto de ter surpresas com IOF na fatura e, como costumo dizer, crédito não é dinheiro. Cartão de crédito, se você atrasar, terá juros. Caso não tenha jeito e precise levar o cartão, tente usar de maneira consciente (é difícil, eu sei, sou consumista também).

Colônia del Sacramento, Uruguai

Colônia del Sacramento, Uruguai

3 – Uma opção interessante é o VTM (Visa Travel Money) e outros cartões pré-pagos. Falei do VTM porque eu já utilizei, confio e recomendo. Na Europa não tive problemas pra usá-lo. Mas confira se no país que você vai também é tranquilo.

Período 

Exposição da Frida Kahlo em Curitiba: bate e volta pra Curitiba

Exposição da Frida Kahlo em Curitiba: bate e volta pra Curitiba

1 – O primeiro passo é entender quanto tempo você terá para viajar. É um feriado prolongado? É só um fim de semana? São férias?De quanto tempo? Dez, 15 ou 30 dias? Com base na quantidade de tempo que você terá, escolha o próximo tópico.

Bate e volta feito em São Paulo pra conhecer a exposição da Yayoi Kusama

Bate e volta feito em São Paulo pra conhecer a exposição da Yayoi Kusama

Transporte

Trem indo pra Águas Calientes e, depois, Machu Pichu

Trem indo pra Águas Calientes e, depois, Machu Pichu

1 – Definido o tempo, defina também o meio de transporte que será usado. Hoje o mais comum é pesquisar logo um voo, mas leve em conta que pra viajar de avião você vai precisar estar uma hora antes no aeroporto, em caso de viagens nacionais, três horas, no caso de internacionais. Há também, as conexões. Se forem rapidinhas, ótimo. Se não e, ainda, se for uma viagem de fim de semana, às vezes não compensa sair do conforto da sua casa. Afinal, fazer um bate e volta perdendo mais tempo com o transporte do que com o passeio nem é tão interessante assim. E algumas vezes sai caro.

Punta del Este, Uruguai

Punta del Este, Uruguai

2 – Outras opções, às vezes viáveis, são: ônibus, trem ou carro – alugado ou não. Para estados do Norte há também de maneira mais rotineira os barcos. No caso dos trens, vale muito a pena se estiver na Europa, por exemplo. Há viagens famosas de trens também no Brasil, em estados como Minas Gerais ou Paraná.

Destino

Em Londres, no Hyde Park

Em Londres, no Hyde Park

1 – É até estranho pensar no destino como o quarto tópico. Mas sim, acho que ele deve estar aqui. Sabe por quê? Porque com base nos dias que você terá de férias, recesso ou feriado, é que sua viagem tem que ser pensada. “Ah, eu tenho 15 dias”. É obvio que compensa ir pra outro país. “Ah, eu tenho o feriado de Corpus Christi”. Ok, esse ano (2015) o feriado cai no dia 4 de junho, uma quinta-feira. Eu não consideraria sair do país, mesmo que seja ali no Chile ou na Argentina. Ok, se você morar em São Paulo ou Rio de Janeiro esqueça esse pensamento. No caso dessas duas capitais existem voos diretos e não tão demorados, que fazem valer a pena. Fora isso, esqueça. Um feriado com quatro dias, sendo dois pra ir e voltar, não compensará nunca. Racionalize a viagem e seu dinheiro.

Em frente ao Museu Van Gogh, em Amsterdã

Em frente ao Museu Van Gogh, em Amsterdã

2 – “Ai, eu tenho 30 dias de férias e vou conhecer 20 países”. Sim, já ouvi isso. A pessoa em questão queria ir pra Europa. Os países no continente europeu realmente são próximos, mas não são assim, tipo atravessar a Ponte Rio-Niterói. Em alguns você vai tranquilamente de ônibus e é rapidinho, mas em outros o avião é o meio mais recomendado e você pode passar por conexões e paradas muito demoradas. E aí entra também o item transporte, falado acima. Só pra dar um exemplo: de ônibus, entre Paris e Londres, você vai levar oito horas. De trem, serão apenas 2 horas. Pesquisar e programar significa economizar, não só dinheiro, como tempo.

Mala ou mochila?

Mochilão pela América do Sul, na foto, em Copacabana (Bolívia)

Mochilão pela América do Sul, na foto, em Copacabana (Bolívia)

1 – Realmente escolher entre uma mala e um mochilão é uma escolha muito pessoal. Mas, ainda assim, tem viagens que “pedem” o mochilão. Entre elas, as de países como Bolívia e Peru, que tem muita trilha, areia, salar. Fui de mochilão pra Europa, mas não iria mais. Uma mala de rodinhas reforçadas já basta.

Estação do ano

Amsterdã: parece que tá quentinho, mas não está. Passei muuuito frio!

Amsterdã: parece que tá quentinho, mas não está. Passei muuuito frio!

1 – Tem gente que sonha conhecer neve, mas que não faz ideia do transtorno que pode ser. No inverno extremo, as tempestades de neve podem fechar aeroportos, impedir tráfego na rodovia, enfim, promover o caos. Além disso, alguns locais são frios de um jeito muito inesperado. Frio pede roupas próprias, que pode significar mais gastos. Outros, no entanto, tremem só de pensar em viajar pra passar frio. A primavera em alguns países é maravilhosamente linda. O outono também tem seu charme. Então, avalie bem como é o local que você está querendo ir, no período em que está pensando em ir. Ah, claro, e tem o verão, que também pode ser muito incômodo, mesmo estando na Europa. Pesquise bem antes de ir. E não só como costuma ser aquele local em cada estação, mas leia sites, blogs, reportagens sobre como está a temperatura ultimamente. O mundo está meio louco [seria o aquecimento global? rs]. Por exemplo: em abril de 2014 o frio de Nova York estava intenso e, naturalmente, não deveria nem estar caindo neve. Mas estava.

Frio no Rio de Janeiro: sim, ele existe

Frio no Rio de Janeiro: sim, ele existe

Bom, espero ter ajudado. Mas, como disse no início, é algo muito pessoal – e bem racional.

Em Machu Pichu

Em Machu Pichu

Boa viagem.