Pernambuco: diário de viagem

GENTE! Praticamente depois de um desaparecimento, cá estou. Porém, não de forma integral. É que quem vai falar de Pernambuco não sou eu. Convidei meu amigo Tomaz Silva para falar sobre esse estado maravilhoso, que tive o prazer de conhecer em 2010. E quero voltar 🙂

O Tomaz fez um diário de viagem e, apesar de longo, ficou bem didático. Leiam e, caso tenham dúvidas, é só avisar. Boa viagem!

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Barra de Sirinhaém

Eu sou pernambucano/cuiabano/carioca e explico porque: nasci em Pernambuco e morei no estado até os meus 12 anos, depois me mudei para Cuiabá, onde vivi até os meus 26 anos e nos últimos sete anos moro no Rio de Janeiro.

Conversando com amigos no trabalho sobre o que fazer no feriadão, expliquei que iria visitar familiares e também dar um pulo em Porto de Galinhas (Porto, para os mais íntimos). Uma amiga de trabalho já tinha ido para lá e havia me dito que não gostou e não voltaria por conta do excesso de gente em um feriado prolongado e outros motivos que não cabem aqui na postagem. Eu a desafiei a ir comigo e dar uma segunda chance ao estado (mesmo em outro feriado prolongado). No final do post eu conto quem ganhou a “aposta”.

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Museu Instituto Brennand

Cheguei (sozinho, pois minha amiga chegou em outro voo) no Recife numa quarta-feira no final da tarde, ficamos hospedados em Boa Viagem e fizemos o reconhecimento do bairro, que é o mais turístico da cidade e também onde se encontra a maioria dos hotéis e hostels.

A noite fui jantar na Galeria Joana D´arc, o local é super descolado, com algumas lojas de roupas de artistas locais e dois restaurantes (um creperia e outro de comidas alemãs com pegadas brasileiras).

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Museu Instituto Brennand

Na quinta-feira fizemos um intensivo pela cidade. E escolhi dois locais maravilhosos para quem gosta de arte, nosso caso.

Pela manhã fomos ao Museu Cais do Sertão, inaugurado em 2013, o equipamento tem no seu acervo obras relacionadas ao homem nordestino, sertanejo e com uma ala destina ao célebre Luiz Gonzaga. A “pegada” do museu é tecnológica, conta com painéis digitais, projeções e até karaokê para você e seus amigos cantarem os clássicos do rei do baião.

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Museu do Cais

Por estarmos no centro, o almoço pedia um clássico, e clássico me remete ao Restaurante Leite (o mais antigo em funcionamento no Brasil).

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Chamamos um Uber e partimos para o Instituto Brennand, museu no bairro da Várzea, zona um pouco afastada da cidade, porém, local obrigatório para quem gosta de arte.

O museu é conhecido por ter o maior número de armas brancas em exposição do mundo, além de uma coleção focada em arte do Brasil Colônia e holandesa.

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Museu Instituto Brennand

Porto de Galinhas

Na sexta-feira cedo já partimos para o aeroporto, onde tem uma parada do ônibus para Porto e fomos a caminho do paraíso.

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Porto de Galinhas

Aqui merece uma observação: se você está em Boa Viagem e com pouca bagagem, caminhe até a Avenida Domingos Ferreira (que corta todo o bairro de Boa Viagem) e tome a condução para Porto de Galinhas (no ônibus está escrito o destino, é fácil e tranquilo), ela passa de hora em hora. Mas se você tem mala grande, melhor fazer o que fizemos, ir até o aeroporto e esperar o ônibus que tem porta-malas. É menos estresse.

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Porto de Galinhas

O que nos ocorreu foi que chegando ao aeroporto, um taxista nos ofereceu o transfer por R$ 120 (março de 2016) e não aceitamos, pois o ônibus custa R$ 14. Alguns minutos depois o mesmo taxista ofereceu o serviço para mais três pessoas e acabamos indo todos no carro dele (cinco pessoas), pagando R$ 20 reais cada. Foi tranquilo e muito rápido, pois o ônibus demora em média de 2h por conta de diversas paradas ao longo do percurso e de carro 50min.

Já no hotel locamos um carro para os três dias seguintes. Foi a melhor coisa que fizemos, pois tínhamos liberdade de ir e vir para as praias mais afastadas e fugirmos dos ônibus de excursões, consequentemente, da tão temida muvuca.

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Porto de Galinhas

 

Porto é pequena, dá para andar tranquilamente sem necessidade de carro ou bicicleta e tem uma vida noturna agitada. Possui diversas lojas, duas boates e restaurantes dos mais variados sabores, mas como é uma cidade praiana, indico comer muito peixe e frutos do mar!

As pessoas vão para lá por ser paradisíaco, com mar calmo e piscinas naturais fenomenais por conta da barreira de corais que cobre diversas praias da cidade e são maravilhosas para visualizar cardumes dos mais variados peixes. Caso tenha snorkel, leve-os e não se arrependerá, caso não tenha, há passeios em que se pode alugar.

A mais lotada de todas é realmente a áreas das piscinas naturais em Porto mas optamos por locais menos badalados porque queríamos paz, água morta e mojitos à beira-mar.

No primeiro dia escolhemos caminhar na praia pós almoço e irmos até a praia de Maracaípe, ponto preferido dos surfistas.

Praia com ondas altas e galera jovem, pranchas de surf, açaí e música alta do badalado bar Pé na Areia do povoado.

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Praia Maracaípe 

No segundo dia fomos para a maravilhosa Praia dos Carneiros, no município de Tamandaré. Essa sim, tem credencial para ser o paraíso. Praia calma, distante 1h de Porto e com pouca gente até mesmo durante um feriado prolongado é maravilhoso para quem está fugindo de aglomerações.
Tamandaré conta com algumas pousadas e poucos restaurantes. Diferente de Porto, tem “clima mais casal”, a Praia de Carneiros está aproximadamente 3km de distância, com ânimo, se caminha até a igrejinha que é o cartão-postal do local.

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Praia de Carneiros

Como estávamos de carro, saímos cedo para Praia de Tamandaré e não curtimos o local, então demos meia volta e fomos para Carneiros.

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Praia de Carneiros

Acredito que seja primordial informar que diversas praias no Nordeste são particulares. Para acessar, ou você chega por mar, ou compra o day use dos resorts ou usa o servidos dos restaurantes e clubes que disponibilizam acesso às praias. Assim, escolhemos o restaurante Beijupirá. (o estacionamento custa R$ 50 que pode ser revertido em comida/bebida, como iríamos almoçar lá mesmo, achamos que compensou). O restaurante conta com mesas pé na areia, banheiros muito bem cuidados e limpos além de chuveiros para banho e uma comida que ficará na minha memória por muito tempo. Simplesmente amamos.

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Mais uma de Carneiros porque é lindo demais!

Voltamos para Porto, uns minutos para deitar e descansar porque andar vários quilômetros cansa!

Pela noite combinamos de saímos para comer, fazer compras e dançar forró até o dia amanhecer. Saímos, compramos e comemos… já o forró ficou para a próxima viagem (risos), pois ficamos bebendo diversas caipirinhas e analisando o ir e vir das pessoas pela rua principal da cidade.

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Muro Alto

No nosso terceiro dia acordamos cedo e partimos para minha praia preferida em Porto: Muro Alto.

Como o próprio nome já diz, a praia possui uma barreira de corais que formam um paredão, o que torna a praia uma imensa piscina natural de águas cristalinas e quentinhas. Perfeito para passar o dia.

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Muro Alto

Escolhemos o quiosque e só nos restou aproveitar o paraíso! O mar maravilhoso do Nordeste e a cerveja gelada com valor mais em conta que o cobrado aqui no Rio de Janeiro. Seria redundante falar que as porções de peixe frito e camarão são bem servidas e as ostras extremamente frescas. Sim, tudo estava divino maravilhoso, parafraseando Caetano Veloso.

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Praia de Sirinhaém

Por volta das 16h resolvemos voltar, pois a maré estava subindo e ainda queríamos conhecer a Praia do Cupe e sua charmosa igrejinha que estavam uns 10 minutos de carro de Muro Alto.
A praia em si é muito parecida com Muro Alto, embora tenha ondas pequenas. Ficamos por mais 1h caminhando pela areia e conversando sobre como é triste ver um paraíso ser dominado por mega empreendimentos de hotelaria que transformarão o local, além de causar um enorme desequilíbrio ambiental por conta da enorme quantidade de lixo e esgoto que gerarão.

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Igreja do Cupe

No último dia resolvemos conhecer três praias próximas.

Pontal de Maracaípe (lembra da praia de Maracaípe, a dos surfistas?, o Pontal é logo depois e lá tem uma reserva de mata atlântica com berçário de cavalos marinhos numa área de mangue. Procure pelo projeto Hippocampus ainda em Porto e tenha mais informações sobre o passeio.
Por conta de três ônibus cheios de turistas no projeto, desistimos e partimos para Serrambi. A praia estava bem cheia de famílias com crianças, brinquedos, boias na água, adolescentes jogando bola, então resolvemos partir para nosso último destino: Barra de Sirinhaém.

Barra é uma praia pequena, com ondas médias e uma grande faixa de areia pra relaxar ao som exclusivo do mar na sombra dos coqueiros.

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Maracaípe

Acho que depois de todo esse relato não preciso escrever que fiz minha amiga mudou de ideia sobre Porto de Galinhas e região e ter a certeza que lá é sim um paraíso que merece ser visitado diversas vezes.

No último dia minha amiga usou um transfer de Porto de Galinhas para Recife, direto pro aeroporto e eu parti para o interior do estado em visita familiar.

Dias depois dei um pulo em Natal para visitar uma amigona que há dois anos mudou-se do Rio.

Mas Natal fica para um outro post! 😉

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Eu e a Praia de Carneiros 🙂

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