Bangalô do Manso: paraíso calmo e tranquilo em Mato Grosso

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Antes de começar a falar do lugar paradisíaco que conheci às margens do Lago do Manso neste ano, a cerca de 115 quilômetros de Cuiabá, preciso contextualizar minha pequena trajetória em Mato Grosso.

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Morei até os 17 anos no interior do estado e, depois de um intercâmbio, voltei a morar em Mato Grosso aos 21, porque havia passado no vestibular na Universidade Federal. Confesso, saí com muita tristeza de Goiânia (GO), onde queria ter permanecido. Porém, ao passar dos anos fui me acostumando com a cidade.

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Acontece que parei de negar Cuiabá ao perceber que tanto a cidade em si como os municípios em um raio de 100 quilômetros de distância (para mais ou para menos) são fantásticos. Só para citar rapidamente temos Poconé (porta de entrada para o Pantanal), Chapada dos Guimarães e Nobres. A pouca distância faz a gente ter “respiros” da poeira e do concreto. E que bom!

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Só que desses todos aí, faltava o Manso, lago resultante da Usina Hidrelétrica APM Manso, pronta em 2001.

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A caminho da ilha

Demorei mais de 10 anos para conhecer o Lago simplesmente por imaginar que era feito um tipo de turismo que não queria: lanchas, resorts gigantescos e muita música alta. Foi aí que nas minhas pesquisas encontrei o Bangalô do Manso. O lugar é composto por 6 bangalôs, com distâncias relativamente boas entre si, e uma paz maravilhosa.

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Mansidão

Longe da bagunça e música alta (que dá pra escutar ao longe se os ouvidos forem bons), o Bangalô do Manso fica aos pés do lago e ainda de quebra possui uma ilha maravilhosa que dá pra atravessar a pé (e possui também quiosque com estrutura para churrasco na ilha e um deck com cadeiras de sol).

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Dentro, o Bangalô também é lindo. Em cada um cabem quatro pessoas. Uma quinta pessoa pode ser incluída, porém é pago um valor a mais. Existem todos os utensílios de cozinha, só que o hóspede precisa levar tudo, até água para beber. Então, tem que programar adequadamente cada refeição, para não passar aperto, já que o Bangalô fica afastado da cidade.

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O local também possui churrasqueira embaixo de cada Bangalô e um chuveirão daqueles deliciosos. Para quem quiser levar criança, tem um parquezinho lindo, com uma casinha de madeira, balanço (que eu, obviamente, usei muito já que sou a louca do balanço), escorrega, gangorra e outras coisinhas pra se divertir.

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Playground para crianças e adultos como eu

Fora isso, pontos positivos para o Evaldo, com quem a gente fecha a hospedagem e pode falar a qualquer momento no WhatsApp, e com o Cássio, o caseiro super atencioso e que até me deu um copo de açúcar e sal (sim, eu esqueci o básico, rs).

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Sobre preços, datas e mais informações, é só acessar ao site, que é bem completinho.

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Eu não vejo a hora de voltar! Literalmente, o local é uma mansidão coberta de muito mato, paz e um dos nasceres do sol mais lindos eu já vi.

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Um dos nasceres do sol mais lindo que já vi 🙂

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Arte Urbana em Nova York – parte 2: Nolita e Chinatown

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Diferente de Bushwick, que foi um passeio planejado antes mesmo de chegar em Nova York, a segunda parte (e última) sobre arte urbana na cidade foi simplesmente por acaso.

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Uma das primeiras imagens em Chinatown, após sair do metrô

Entre os locais que deseja ir, estava Chinatown. Li bastante sobre o bairro e sabia que seria uma confusão generalizada com muitos comerciantes gritando “compre aqui” por todos os lados. E, obviamente, li também que fazia muito tempo o comércio não era mais dominado apenas por orientais. Os indianos chegaram para ficar.

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Entre Chinatown e Nolita

Além disso, literalmente do lado de Chinatown existe Little Italy, o bairro italiano que te transporta imediatamente para o continente europeu.

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Mas, também é sabido, que a parte “chinesa” está engolindo a italiana nos últimos anos.

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A melhor parte é que do bairro que eu estava ficando, Upper East Side, até Chinatown, seria apenas uma linha do metrô (a verde número 6). E aí eu fui.

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Além de andar sem rumo e fotografar o comércio, queria visitar um templo budista que tem no bairro.

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Acontece que já nas primeiras andadas, me deparei com grafites. Andei mais e mais e mais e fui parar em Nolita, um bairro que significa North of Litle Italy e hoje abriga muita arte urbana, pubs, restaurantes e livrarias “descolados”.

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Aí eu me lembrei que é exatamente em Nolita que ficavam ao menos duas artes que já tinha olhado pelos instagrans da vida: os ursinhos carinhosos e as asas da Kelsey Montague.

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No lugar das asas da Kelsey…

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O grafite na parede preta e asas brancas ganhou certa notoriedade porque diversos artistas começaram a postar fotos nele.

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Só que, Nolita tem um problema: esses locais são como “murais”. Os desenhos não ficam ali “eternamente”. Assim sendo, quando cheguei pra fotografar as asas… e elas não estavam mais lá.

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Ainda tive sorte com os ursinhos, mas uma semana depois voltei em Nolita, com o objetivo de andar mais e encontrar arte dos nossos brasileiros “Os Gêmeos” e eu vi a frustração no olhar de um casal que queria fotografá-los.

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No lugar, um desenho bem longe de ser tão legal quanto o desenho que fez a infância de muita gente. Coisas da vida…

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Os ursinhos se transformaram…

E sim, tive a grande e feliz sorte de topar com muros e prédios com arte nacional. Sou apaixonada pelo trabalho dos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo há mais de 10 anos. Encontrei pelo menos três lugares diferentes. E sei que eles estão em mais alguns.

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… nesse desenho natalino

Outro artista que está espalhado por Nova York é Banksy. Mas, infelizmente, não topei com nada dele. Mas aqui tem uma relação onde você pode encontrar as obras dele pela cidade.

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Os Gêmeos 

A dica para Nolita, Little Italy e Chinatown é uma só: caminhe e caminhe muito. Entre nos bairros, circule em quarteirões. Se perca! No caso de Nolita, falaria para começar na rua Kenmare.

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Os Gêmeos

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Os Gêmeos

Arte urbana em Nova York – parte 1: Bushwick

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Não sei quando começou e sei que não tem fim o amor que sinto pela arte urbana. Os “grafites” dominam as paredes (e não apenas elas), até então cinzas, das cidades já há algum tempo. E, que bom, assim como – quase – tudo na vida, a mudança no pensamento fez com que diversos locais ao redor do mundo ganhassem status de museu a céu aberto.

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Pra mim não é simples “status”. Esses locais e artistas são exatamente o contrário da vida que a gente teima em colocar no controle remoto: coloridas ou não, as artes nos levam pra um mundo paralelo. Que bom. É pra isso a arte, né? Além, também, de ser contestadora e retrato do nosso tempo.

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Foi por isso mesmo que durante o mês que passei em Nova York persegui a arte urbana. Assim como São Paulo, elas estão a cada piscada. Só que tem um lugar, naquele mar de concreto, que foi minha primeira parada: Bushwick!

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Por indicação do blog da Laura Peruchi, anotei Bushwick logo no topo da minha lista de prioridades. O bairro do Brooklyn vem ganhando destaque desde o ano passado e ficou famoso exatamente pelo grupo “The Bushwick Colletive”.

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O coletivo foi criado em 2012 e tem um curador – Joseph Ficalora – exatamente para definir o que vai nas dezenas de paredes ao longo de suas quadras.

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É de encher os olhos. Você já desce do metrô respirando os grafites. Eles são tantos que recomendo ao menos uma manhã ou tarde por ali. Vale a pena também dedicar sua pesquisa, antes de chegar até lá, aos restaurantes, bares e pubs, que dizem serem ótimos.

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Apesar de estar em alta, Bushwick nem sempre foi assim: era considerado um bairro perigoso. Segundo as histórias que você encontra na internet, foi exatamente os grafites que deram vida nova ao lugar.

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E não só de Bushwick vive Nova York. O próximo post será sobre a região de Chinatown e Nolita, um lugar recheado de arte urbana. E, detalhe, tem até nossos brasileiros “Os Gêmeos”.

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Sobre Bushwick:

Tem Instagram
Tem Facebook
E pra chegar é só pegar a linha L do metrô e descer na estação Jefferson Street. A partir daí, ande e se “perca”.

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O incrível Museu Interativo Mirador de Santiago

Atenção! Esse post é válido para todas aquelas pessoas que não têm problema – ou medo – de passar vergonha ou de voltar a ser criança por um dia. Sim, porque é isso que o Museu Interativo Mirador (MIM), em Santiago, capital do Chile, faz com a gente.

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Do lado esquerdo, eu. Do lado direito, minha amiga argentina, Gabi.

Não, não é um local que você tem que conhecer, que faz parte de listas “top 10” ou “top 5” do que fazer em Santiago. Mas eu sugiro o Museu como um lugar no qual você vá, simplesmente, ser feliz.

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E já que estou sugerindo, proponho também que você vá acompanhado.

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Mas, antes de dizer o motivo, é preciso explicar o que é o Museu. Bom, a proposta do MIM é basicamente ser um local onde você poderá ver, tocar e fazer com as próprias mãos, olhos e corpo tudo aquilo que um dia você aprendeu nas matérias de Ciência e Tecnologia na escola. São dois pisos com muitas coisas. Muitas mesmo.

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Uma das obras mais legais é essa, do artista venezuelano Jesús Soto

Tem, por exemplo, uma cama de pregos que você pode se deitar ou uma “casa” de terremoto, onde você sentirá como é a sensação de estar em um terremoto de magnitude 8.0.

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Você também pode brincar com jogo de espelhos ou fazer bolhas de sabão gigante.

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O legal do MIM é se jogar e aproveitar cada brinquedo. É claro, como é grande e, algumas vezes, tem fila, vá munido de paciência.

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Na cama de pregos. Reparem na fila de crianças

 

Dica 1: na quarta-feira ele é mais barato, o que significa também que você pode topar com dezenas de crianças, vindas de excursões de escolas.

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Sala que muda de cor conforme o movimento

Dica 2: mesmo na quarta-feira, é interessante que vá próximo do almoço, horário que as escolas já estão indo embora e o museu fica SUPER VAZIO!

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Jogo de espelhos e câmeras 

Dica 3: o MIM é longe da região central de Santiago. Portanto, se for colocá-lo em seu roteiro, prepare-se para um deslocamento um pouco maior e também para ficar lá ao menos uma manhã inteira ou uma tarde inteira.

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Dica 4: tem uma pequena praça de alimentação, com restaurante e lanchonete. Nada maravilhoso, mas dá pra comer algo por ali.

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Uma das obras mais legais do MIM

Dica 5: o lance de ir acompanhado é simplesmente porque muitos brinquedos exigem ao menos um parceiro para serem “jogados”.

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Mais informações de como chegar e preços: www.mim.cl

Um guia: você nunca mais vai se perder no metrô de Nova York

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Sim. Se você olhar uma foto das linhas do metrô de Nova York vai, no mínimo, fazer uma cara de ponto de interrogação. Aparentemente, parece confuso, mas eu juro que com calma e paciência, você vai se dar bem e fazer suas viagens por toda a cidade numa boa.

Começando do começo

Diferente de alguns outros locais, o metrô de Nova York não funciona por “cores” e sim por nomes. Cada cor pode ter mais de uma linha. Veja:

Vermelha: linhas 1, 2 e 3
Verde: linhas 4, 5 e 6
Azul: linhas A, C e E
Laranja: linhas B, D, F e M
Verde claro: linha G
Marrom: linhas J e Z
Cinza: linhas L e S
Amarela: linhas N, Q e R

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Vai subir ou vai descer?

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Foto tirada por mim em Dia de Natal. Percebam, do lado direito Dowtown

Também diferente de muitos países – Brasil incluso – as ruas da cidade seguem uma lógica (realmente) numérica. Então, é simples. Você quer “subir” ou “descer” partindo do ponto onde está? Se quer subir é Uptown (Up = acima, “subir”) e se quer descer deve pegar o Downtown (Down = descer, “baixar”).

Quando cheguei na cidade cheguei a pensar que Downtown significava unicamente “centro da cidade”, como aprendemos na tradução, porém não é isso. Você pode estar em um bairro no Brooklyn e quer apenas descer, ir para baixo, sair “lá do alto”, o que não significa que você está indo para centro da cidade algum.

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Linha 5 no The Bronx

Exemplo: eu morava próxima ao metrô da estação 96 (linha 6) e precisava todo dia ir pra aula próxima da Rua 42. Então todo dia eu pegava um Dowtown e, pra voltar, um Uptown.

É claro, vale lembrar, que em locais fora da ilha, por vezes não existe claramente a distinção Dowtown ou Uptown. É o caso quando você está fora de Manhattan e pode estar sinalizado que, para voltar pra ilha, você deve ir – obviamente -para “Manhattan”. Ah! E como todo metrô, é preciso ficar de olho não apenas em Up ou Down, mas na estação final que aquela linha para, ela também te ajuda a saber se você está no caminho certo.

Vai parando ou vai rapidão?

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O “EXP” significa expresso e vem na lateral do vagão ou, às vezes, na frente. Foto tirada da internet.

Uma coisa que deixa o pessoal meio confuso também é a diferença de “Local” e “Expresso”. Pra isso, aconselho uma olhada no mapa do metrô e também uma olhada na chegada do metrô em si (geralmente está escrito nos próprios vagões a palavra Express).

A diferença é que o Local para em todas as estações e o Expresso para apenas em estações que no mapa estão com a “bolinha branca”.

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Mas, há exceções. Por razões sempre explicadas, às vezes os vagões não param em determinadas estações. Vou dar, novamente, meu exemplo. Algumas vezes pegava Uptown rumo a minha casa e, quando estava na estação 86 (a última antes da minha), o próprio funcionário do vagão avisava no microfone que “este trem seguirá direto até a estação 125”.

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O que você pode fazer? Bom, você tem pelo menos duas opções. Uma é indicada pelo próprio funcionário: eles falam que o próximo trem que está chegando daqui alguns minutos parará na estação 96. Ou você pode ir até a 125 e, de lá, pegar um Downtown até a 96.

Te ajude

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Meu amigo de toda hora em Nova York 🙂

Sim, isso mesmo. Seja legal e paciente com você mesmo. Se você vem de uma cidade do interior como a minha que nem metrô tem, talvez precise de um pouco de paciência com você mesmo (e com o metrô) para entender o transporte. Até mesmo quem vem de grandes cidades pode ficar confuso, porque o metrô não é muito parecido com os de Londres, Paris, São Paulo ou Rio de Janeiro, só pra citar alguns lugares grandes (e no caso do Rio com um metrô bem pequeno).

O primeiro passo: baixe o aplicativo do metrô. Ele será seu guia. Pegue um mapa também, caso a bateria do celular acabe e você fique virtualmente na mão.

Faça “matemática”

Sim. Você está em um lado da ilha e quer ir para outro. Mas não tem metrô que cruze. Coloque o mapa na sua frente e analise quais linhas (e se é Downtown ou Uptown) você precisará para chegar do outro lado.

Exemplo da minha vida para ir de onde morava até o bairro Chelsea.

“Só no Brasil”

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Apesar de ser lotado, o respeito na saída e entrada prevalece sempre

O metrô tem atrasos, tem problemas, tem lotações e aos fins de semana algumas linhas simplesmente não param em algumas estações. Eles sempre avisam antecipadamente, com papéis grudados ao longo de toda a estação. Tudo isso para dizer que os problemas existem e não é “só no Brasil” que o transporte público apresenta caos. Claro, por vezes os problemas são diferentes. Mas esteja preparado para muita sujeira no metrô, fedor de xixi e, algumas vezes, ratos.

Prepare-se

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Sente a aproveite a vista. Opa, pera.

Prepare o mental e, principalmente, o físico pra encarar o metrô. Poucas são as estações que oferecem elevadores e/ou escadas rolantes. E, quando tem escada rolante, elas podem não estar funcionando. Faz parte.

Aproveite o som ou os pequenos espetáculos

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Hare krishnas em estação do metrô

Achei, pelo tamanho de Nova York e pela quantidade de estações de metrô, a cidade proporcionalmente com poucas atrações musicais, mas, quer saber? Aproveite quando tiver. Quando visitei outros países os músicos do metrô eram diversos, mas em Nova York eles não são assim tantos. Mesmo assim, eu sempre parava nas estações (a Union Square é uma das que mais tem) ao menos um pouquinho pra ouvir os peruanos, o tiozinho argentino com o acordeão, os hare krishnas, os músicos de jazz, os dançarinos… Aproveite cada segundo! É no metrô que se conhece um pouco mais dos nova iorquinos!

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Fotografei essa estação e esqueci qual é ela 😦

Meu intercâmbio: como passei um mês em Nova York

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Vista do Empire State

O blog tá mais desatualizado que Fotolog em 2016. Então, como também não tenho atualizado nenhuma outra rede social dele, preciso contar que passei um mês em Nova York. Mas não foi de férias. Fiz um curso semi-intensivo de Inglês e meu objetivo aqui é contar tudo que puder sobre ele. Alguns amigos têm me perguntado como fui, se foi caro, onde fiquei, etc. Então, como pretendo fazer um milhão de posts sobre lugares que fui em NY, resolvi que o primeiro vai ser do óbvio: como fui parar lá.

Primeiro ponto: de onde surgiu a ideia

Como já disse por aqui, fiz intercâmbio no México dos 17 aos 18 anos, pelo Rotary Club (na sua cidade com certeza tem). A experiência foi um divisor de águas pra mim. Foi a partir dela que tive um pouco de noção de como viajar era conhecer um pouco mais do mundo. E também foi a partir dela que resolvi que gostaria de conhecer o máximo de lugares que pudesse.

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Eu em Palenque: anos e ano e ano e anos…

Mas, como vocês sabem, no México se fala espanhol e meu sonho número 1 era ter ido pra Austrália naquela época. Não deu e essa ideia de aprender inglês em um local que fala inglês nunca saiu da minha cabeça. Só que meus pais pagaram todo meu intercâmbio pro México (que óbvio, não foi barato) e eu sabia que eu teria que arcar com qualquer um que viesse a fazer.

Um ano ou seis seriam períodos excelentes pra se aprender um idioma (no caso do inglês), só que eu não queria sair do trabalho e achei que um curso de um mês não me faria aprender inglês, mas, pelo menos, dar um upgrade. E também não afetaria o trabalho porque iria no período de férias.

O dinheiro

Eu sou jornalista e em 2014 teve campanha política para eleger governador, deputados e senadores. Como muitos sabem, jornalistas que fazem campanha política ganham uma grana excelente. Mas eu não fui uma delas. Eu continuei onde estava (em um site de notícias) e por firmar o compromisso de assumir a editoria de política durante o período, ganhei um pouco mais por isso. O que fazer com a grana? Queria investir em algo e não gastar em livros, roupas e sapatos, como eu provavelmente poderia ter feito. E aí repensei naquilo que já queria há tempos: o meu intercâmbio de um mês.

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PS: eu não ganhei horrores de dinheiro não. Mas o que ganhei foi suficiente pra dar entrada no curso que fiz. Só quero deixar isso claro porque você pode poupar durante um tempo e dar a entrada no seu curso, ok?

A agência de intercâmbio

Conheço muita gente que faz intercâmbio e, pra poupar dinheiro, consegue organizar tudo sozinho, desde o lugar que ficará, a escola que estudará e as passagens. Eu resolvi pesquisar e pesquisei MUITO até encontrar a Egali.

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A Egali é uma agência de intercâmbio com matriz no Rio Grande do Sul, mas que tem filiais por quase todo o país. Por sorte, Cuiabá era uma dessas cidades. O que me fez optar pela Egali? Certamente duas coisas.

A primeira é que eles parcelam no boleto. Sim, porque grande parte (ou todas) as agências de intercâmbio parcelam no cartão de crédito ou cheque. Eu não tinha essas opções.

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A segunda coisa é que a Egali tem Egali House, que são residências pro intercambista ficar durante o intercâmbio. E olha, vou te falar, isso significa uma economia danada! Falo isso porque muitas agências ou não incluem a moradia ou, quando incluem, colocam em casa de família, residência estudantil, etc.

A Egali House não deixa de ser uma “residência estudantil”, mas no caso de Nova York ela é ótima: um apartamento em Upper East Side, com apenas dois quartos, cada qual com uma beliche. Em outros locais, como Dublin, a Egali House é como se fosse um hostel cheio de gente.

Bom, incluindo Egali House, curso de inglês semi-intensivo (que significa 15 horas de aula por dia), seguro de vida e ainda um city pass (que custa 114 dólares e dá direito a visitar 6 atrações famosas de NY), meu pacote ficou em R$ 6.973,38. A minha entrada foi dividida em duas (uma de R$ 1000,00 e outra de R$ 1092,08) e o restante parcelei em seis vezes de R$ 813,55.

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A Egali é 100%? Gente, não vou mentir, tive alguns problemas com a empresa. Coisas que me incomodaram, principalmente contratuais. Mas são problemas muito particulares, que podem não ocorrer com você. Minha dica é uma só: leiam cada palavrinha do seu contrato, caso feche. Isso, independente se forem com Egali ou não. Intercâmbio (e tenho essa experiência desde o México) é uma caixinha de surpresas: às vezes aparecem umas taxas aparentemente do nada, mas que estavam escritas lá o tempo todo.

O curso

A Egali conta com diversas opções de cursos de inglês em Nova York. Eu optei por uma das mais baratas, a New York Language Center (NYLC) e não me arrependo. Assim que chegamos pra matrícula, já passamos por um teste de nivelamento. Primeiro, é uma provinha mesmo. Não demorou nada. Depois, eles avaliam nosso resultado e passamos pra conversa com o Joe, que é coordenador da escola.

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A NYLC tem um sistema de 8 níveis, sendo o oitavo o mais avançado. Eu fiquei no sétimo. A minha turma era extremamente pequena (o que facilitava o ensino e nos aproximava do professor), o material era ótimo (e os professores ainda levavam materiais extras) e os meus colegas eram maravilhosos. Até mesmo os únicos dois brasileiros que tive como colegas só falavam em inglês dentro de sala. Não sei dizer em percentagem se meu nível de inglês melhorou, mas eu amava ir pra aula e não a vi como uma obrigação. Ah sim, eu estudei as 9h às 13h.

PS: mesmo no curto período de tempo eu tive dois professores, porque a primeira entrou de férias. Eu confesso que AMAVA as aulas da Jéssica e que tive que me adaptar ao Henry, mas de forma geral, ambos cumpriam os requisitos da escola.

Por que Nova York?

Escolher Nova York foi unicamente porque nos Estados Unidos a moeda é o dólar. Sim, foi isso. Eu amei minha experiência, amei a cidade, amei cada dia lá. Mas quando fui fechar o pacote, outras duas opções com Egali House foram Dublin, na Irlanda, e Londres, na Inglaterra.

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Dublin, aliás, custaria metade do valor de Nova York. Mas por que você não escolheu Dublin? Unicamente porque lá é euro. Eu sei que fechei meu pacote em 2014 e que na época jamais imaginaria um dólar a 4 reais. Mas, amigos, quando uma moeda sobe, todas sofrem influência, né? E eu pensava nisso… (fora que nunca tive muita vontade de Dublin, verdade seja dita)

Londres nunca foi uma escolha porque além de eu conhecer (e com a libra a mais de 5 reais já em 2014), eu sabia que era uma cidade MUITO CARA até pra comer um cachorro quente na rua.

Meus gastos

Gente, não dá pra eu listar aqui cada gasto meu. Além de ser algo bem particular, e não porque eu não queira falar, mas porque cada um tem um modo de vida, é difícil saber com o que você vai gastar.

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Prospect Park, no Brooklyn

Mas, dou dicas.

Transporte: se você vai passar um mês como eu, compre o passe de metrô pra um mês. Ele custa 116 dólares e por um mês você pode fazer quantas viagens quiser, quantas vezes quiser por dia. Parece caro, né? Mas lembre-se que você não vai ter que pensar nunca mais em pagar metrô durante esse um mês.

Comida: como tive uma vida de moradora em Nova York, fazia compras no mercado pra café da manhã, almoço e janta. Não dava pra almoçar em casa todo dia. Mas sempre tinha uma fruta na mochila ou algo pra comer quando batesse a fome. Muitas vezes esquecia de almoçar.

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Mercado Key Foods

Foursquare: sim, o aplicativo é ótimo pra indicar restaurantes, atrações turísticas e até estúdios de tatuagem, por exemplo. É só abrir na região onde estiver e fazer uma busca por tema. Ajuda muito quem não quer gastar muito com comida ou quem não quer entrar numa roubada.

Turismo: algo que é bem caro (ainda mais quando se converte) são atrações turísticas como alguns (disse alguns) museus, o Empire State, musicais da Broadway, o Top of the Rock ou Observatório do World Trade Center, por exemplo. Esses ingressos podem variar de 25 a 200 dólares (tudo bem, no caso dos musicais podem custar muito mais de 200 dólares). Preço salgado, mas a decisão de ir ou não é sua. Eu fui em todos os citados e não me arrependo de nenhum.

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Vista do Observatório do World Trade Center

Fazendo a matemática: uma outra dica pra você, talvez, chutar uma média de gastos em NY é fazer o seguinte. Calcule o preço de todas as atrações que você deseja ir, pesquise, no caso dos museus, que dia tem entrada gratuita, some todos esses gastos e aí você já vai ter um valor das atrações turísticas. Depois disso, faça uma média de alimentação. Aí entra a parte complicada: uma fatia de pizza pode custar 5 dólares, um McDonalds varia dependendo da região e também do sanduíche, em um dia de chuva eu acabei comendo em um e paguei uns 18 dólares (uma facada, na minha opinião).

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High Line

Compras: sim, você pode se enlouquecer com tantas opções, uma Forever 21, H&M ou, no meu caso que amo fotografia, pela B&H. Caso seja consumista e esteja com pouca grana, te aconselho a se afastar da Times Square e região, rs. Se não for o caso, aproveite. Mas lembre-se: Nova York é muito, mas muuuuuuuito mais que compras e luzes da Times Square.

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Na escadinha vermelha e famosa da Times Square